Pedro Tomás – texto en portugues

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O desconhecido louco

Desci as escadas do prédio onde vivia e cheguei á porta da saída. Era meio-dia e a rua da Santa Catarina estava movimentada. Não tive tempo para mais demoras,já estava atrasado para o ensaio da banda.
Dirigi-me á paragem de autocarro mais próxima. Queria apanhar o 78, mas este já tinha saído há muito. O próximo autocarro para o Bom Sucesso era só daqui a 30 minutos, portanto era mais rápido se fosse a correr, mesmo con a guitarra ás costas. Em 20 minutos já lá estava.
Cheguei á porta do prédio, quando um senhor deveras peculiar me abordou e perguntou-me algo numa língua desconhecida para mim, que mais parecia grego. Tentava-se fazer compreender. Era alto, um metro e noventa, pelo menos, extremamente magro. Usava um casaco castanho de cabedal, demasiado grande para o seu corpo magriçelas, quantas vacas teriam morrido para aquilo? Usava calças de linho castanhas escuras, sapatos de cabedal e óculos de sol, tão grandes que só não caíam graças ao seu nariz de papagaio. Era roupa de luxo, embora toda suja, cheia de lama.
Quem seria este homem?
Refugiado político, talvez? Ou rico que temesse pela vida? Tinha seguramente passado os últimos dias a esconder-se. Tinha uma cicatriz profunda no braço, já infectado, que tive a opurtunidade de observar enquanto olhava para o relógio de pulso. Não estava tratada. Porquê não tinha ido ao hospital, este homem? Dando entrada no hospital, estaria em perigo a sua vida? Estaria sendo buscado pelo governo português? Seria terrorista o espião, rico ou ladrão?
Desconhecia. Perguntei-lhe:
-Do you speak english?
Não…Nada. Decidi levá-lo para dentro da casa do João,onde deveriamos estar practicando, a sua vida estaria em perigo se desse muito nas vistas.
O João aceitou ficar com ele em casa, mas depois vi no jornal que um louco tinha fugido do manicómio e fui levá-lo lá. Nunca houve espiôes, nem nenhuma dessas tretas.

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